Se perder no céu

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Foi quando se permitiu sonhar e sentiu o amor invadindo seu coração que se perdeu na terra vazia em que caminhava. Desenhava círculos enquanto olhava o céu até que o solo frio, por um segundo, ameaçou liberta-la. Mas só ameaçou. Foi quando se permitiu sentir dores irreais e viu feridas marcarem sua pele que ela se perdeu no céu azul em que navegava. Pensamentos confusos invadiam sua mente e como parasitas nutriam-se de suas energias enquanto a transformavam em pó. Dias bons eram consumidos pela escuridão e nas noites mais quentes era só frio que sentia. Tentou respirar calmamente e debater consigo na esperança de vencer-se para ser feliz, mas sua teimosia era tamanha que acabou desistindo. Cortou suas asas e se impediu de continuar sonhando, pois não merecia sonhar. Abriu mão do amor da vida para que a vida não a machucasse mais, para fazer parar de doer. Mas agora, só e em prantos, se pergunta porque não é capaz de navegar nas nuvens sem olhar para o chão, viver uma aventura longe dos males da terra sem medo do que pode acontecer. Queria saber se permitir sentir menos para durar mais. Amar sem medo da dor, sorrir sem medo das lágrimas. Queria poder confiar sem sentir seu coração doer e beijar sem pensar em mais nada. Tocar a pele e se sentir especial. Foi quando se permitiu tentar outra vez e não enrijecer. Nada de sentimentos duros, apenas pensamentos imaturos. Ela vestiu suas asas de borboleta e voou alto no céu. Olhando pra frente, vendo o caminho. Se perdeu nas nuvens de algodão e finalmente percebeu que estar perdida era bom. 

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